93 – Porto de Santos:Há 120 anos, uma mudança radical na operação do Porto de Santos

Aniversário

Da Redação A Tribuna/Santos/SP

Em 12 de janeiro de 1889, o hoje esquecido trenzinho do Jabaquara começou a circular em Santos, cortando as atuais avenidas Ana Costa e Conselheiro Nébias, na altura de onde hoje estão as instalações do campus da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e do Senac, até chegar à zona portuária.

Com poucos vestígios atualmente, essa linha, implantada pela Companhia Docas de Santos, transportava pedras extraídas do Morro do Jabaquara. Esses blocos formaram os primeiros 260 metros de cais do Porto – inaugurados em 2 de fevereiro de 1892, com a atracação do navio a vapor inglês Nasmyth. A data marca a fundação formal do Porto de Santos.

A historiadora e professoradoutora do Mestrado em Educação da UniSantos, Maria Apparecida Franco Pereira, conta que a Docas criou uma fábrica de blocos só para a instalação do cais. A linha férrea perdeu sua utilidade, mas foi desativada só em 1961, segundo o site Novo Milênio.

A inauguração do cais marcou o fim da era de um porto que se desenvolveu de forma praticamente improvisada, mas corajosa frente aos desafios geográficos e sociais enfrentados desde 1502.

O cais simboliza uma mudança radical. A historiadora afirma que, na segunda metade do século 19, todo o embarque e o desembarque eram feitos junto às pontes que avançavam de dez a 20 metros pelo estuário, concentradas nos bairros do Valongo, do Centro e do Paquetá.

Naquela época, as mercadorias ficavam primeiro nos armazéns da Cidade e depois seguiam para a faixa portuária, aguardando o transbordo para a embarcação. Próximas às pontes, permaneciam ao ar livre, muitas vezes expostas à chuva, o que levou ao surgimento dos trapiches.

Maria Apparecida diz que, erroneamente, muitos chamam as pontes de trapiches. Na verdade, esses trapiches são os armazéns construídos próximos às pontes.

Em 1870, nove trapiches com pontes se espalhavam pela região hoje limitada pela Bolsa do Café (Rua Frei Gaspar) e o prédio da Alfândega (Praça da República). O controle era pulverizado. “Particulares e algumas firmas passaram a construir pontes e trapiches”, afirma Apparecida.

Na Rua do Sal (atual José Ricardo) ficava o Trapiche Salena Antônio Prado, o Trapiche Praia. Havia ainda a Ponte do Consulado (altura da Rua Frei Gaspar), que recolhia impostos.

Segundo a historiadora, em 1872 eram dez pontes sob controle privado.Entre os proprietários, estava o vereador Alexandre Jeremias da Silva e os herdeiros de Antônio Ferreira da Silva Sobrinho (dono da Casa da Frontaria Azulejada) e Souza Queirós e Vergueiro.

Concessão

Porém, o setor de trapiches estava com os dias contados nos anos 1880. Um pouco antes, em 1869,o governo do Império lançou um plano de licenças de operação dos portos.

O aumento do comércio exterior exigia a troca da gestão pulverizada e incipiente por uma mais profissional e centralizada, que garantisse uma maior eficiência nas operações. Porém, a iniciativa levou 17 anos para sair do papel. A licitação foi feita só em 1886.

Maria Apparecida conta que esse capítulo da história do Porto começou com Francisco de Paula Ribeiro, empresário que vivia em um casarãoonde tempos depois foi construído o Colégio Santista, na Rua Sete de Setembro, e que era proprietário de terras na entrada da cidade(onde atualmente está o bairro Chico de Paula, batizado em sua homenagem). Coube a ele convencer o cunhado Eduardo Guinle a montar uma firma para a construção do cais em Santos.

Após algumas negativas, Guinle e o sócio Cândido Gaffrée decidiram participar da concorrência de 1886 para a instalação do cais. Seis grupos entraram nessa disputa, entre eles, o de Gaffrée e Guinle, que foi declarado o vencedor. Os dois formaram em 3 de novembro de 1892 a Companhia Docas de Santos, quando o novo Porto já estava em operação (Ribeiro ficou de fora por estar em dificuldades financeiras, segundo registros históricos).

A companhia surgiu com plenos poderes. Além da construção e da operação do Porto, seu estatuto previa a exploração do comércio, serviços de comissária, agência de navegação e transporte terrestre.

Fonte:

http://www.atribuna.com.br/noticias.asp?idnoticia=134257&idDepartamento=10&idCategoria=0

Veja galeria de fotos do Porto Santista.

Porto de Santos: 120 anos de história, sob as lentes de J.Carlos.

Conheça o museu do Porto de Santos, acesse:

http://conversaaopedoradio2011.wordpress.com/06-museu-do-porto-de-santos/

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