25- O incêndio do Grande Circo Norte Americano em Niterói em 1961

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Na época eu tinha apenas três anos, porém durante  toda a minha  infância, ouvia dos mais velhos  o relato desta tragédia que se abateu sobre centenas de famílias da cidade de Niterói, que na época era a capital do Estado da Guanabara.

No dia 17 de dezembro de 1961, ocorria, em Niterói, o maior incêndio da História, que deixou mais de 500 mortos. A maioria das vítimas eram crianças, que morreram queimadas, asfixiadas ou pisoteadas. Apesar dos mais de três mil espectadores, o Gran Circo Norte-Americano não tinha saídas de emergência. Além da saída para os artistas, tapada por uma cortina, havia apenas mais uma área de escape, que estava obstruída por grades de ferro. Normalmente, as grandes seriam retiradas perto do fim do espetáculo, mas quando o fogo começou, alastrando-se rapidamente pela lona, altamente inflamável, elas ainda estavam lá, impedindo a passagem. Para piorar, a cobertura do circo havia recebido uma camada de parafina, impermeabilizante. A cera, porém, contribuiu para aumentar o fogo.

A tragédia

A montagem do circo demandava tempo e muita mão-de-obra. Danilo contratou perto de cinquenta trabalhadores avulsos para a montagem. Um deles, Adílson Marcelino Alves, o Dequinha, tinha antecedentes por furto e apresentava problemas mentais. Ele trabalhou dois dias e foi demitido por Danilo Stevanovich. Dequinha ficou inconformado e passou a ficar rondando as imediações do circo.

Adílson, o “Dequinha”, colocou fogo no circo em vingança ao proprietário Danilo Stevanovich.

Walter, o “Bigode”, jogou gasolina na lona.

José , o “Pardal”, ficou vigiando o local.

No dia da estreia, 15 de dezembro de 1961, o circo estava tão cheio que Danilo Stevanovich mandou suspender a venda de ingressos, para frustração de muitos. Nessa noite, Dequinha tentou entrar no circo sem pagar, mas foi visto e impedido pelo tratador de elefantes Edmílson Juvêncio.

No dia seguinte, 16 de dezembro, um sábado, Dequinha continuava a perambular pelo circo e começou a provocar o arrumador Maciel Felizardo, que era constantemente acusado de ser o culpado da demissão de Dequinha. Seguiu-se uma discussão e Felizardo agrediu o ex-funcionário, que reagiu e jurou vingança.

Na tarde de 17 de dezembro de 1961, Dequinha se reuniu com José dos Santos, o Pardal, e Walter Rosa dos Santos, o Bigode, com o plano de colocar fogo no circo. Eles se encontraram num local denominado Ponto de Cem Réis, na divisa do bairro Fonseca com o centro, e decidiram botar em prática o plano de vingança. Um dos comparsas de Dequinha, responsável pela compra da gasolina, advertiu o chefe da lotação esgotada do circo e iminente risco de mortes. Porém, Dequinha estava irredutível: queria vingança e dizia que Stevanovich tinha uma grande dívida com ele.

Com 3000 pessoas na plateia, faltavam vinte minutos para o espetáculo acabar, quando uma trapezista percebeu o incêndio. Em pouco mais de cinco minutos, o circo foi completamente devorado pelas chamas. 372 pessoas morreram na hora e, aos poucos, vários feridos morriam, chegando a mais de 500 o número de mortes, das quais 70% eram crianças. Ironicamente, a fuga de um elefante da sua jaula, foi o que acabou por salvar imensa gente. O animal com sua força, arrebentou com parte da lona, abrindo assim caminho para um maior numero de pessoas fugir para a rua. A lona, que chegou a ser anunciada como sendo de náilon, era, na verdade, feita de tecido de algodão revestido de parafina, um material altamente inflamável.2

Por coincidência, nesse dia, a classe médica do estado do Rio de Janeiro estava em greve. O Hospital António Pedro, o maior de Niterói, estava encerrado. A população arrombou a porta e, os médicos em greve foram sendo convocados através da rádio, pelos soldados do exército, os quais compareceram ao hospital de imediato. Médicos de clínicas privadas também foram atender ao hospital. Inclusivamente, os cinemas e teatros de Niterói, Rio de Janeiro e outras cidades vizinhas interromperam seus espetáculos para averiguar se haveriam médicos entre o público, tal foi a dimensão da catástrofe. Padres também foram convocados de emergência, para darem a a extrema-unção às vitimas que já se sabia que não tinham qualquer hipótese de sobrevivência. Nos dias seguintes, várias personalidades da elite fluminense e, brasileira no geral, deslocaram-se a Niterói para prestar o máximo de apoio e auxílio às vitimas. De entre essas personalidades destaca-se o então Presidente, João Goulart.

As agências funerárias não tinham mãos a medir, tal era elevado o numero de caixões que eram necessários, para enterrar as vitimas mortais. OEstádio Caio Martins, foi transformado numa oficina provisória para a construção rápida de urnas, com carpinteiros da região a trabalharem dia e noite. Os cemitérios municipais de Niterói, logo ficaram lotados; assim, uma roça no município de São Gonçalo, vizinho de Niterói, foi usada de urgência como cemitério para enterrar os restantes corpos.

Com base no depoimento de funcionários do circo que acompanharam as ameaças de Dequinha, ele foi preso em 22 de dezembro de 1961. Os cúmplices Bigode e Pardal também foram presos.

Em 24 de outubro de 1962, Dequinha foi condenado a dezesseis anos de prisão e a mais seis anos de internação em manicômio judiciário, como medida de segurança. Em 1973, menos de um mês depois de fugir da prisão, ele foi assassinado. Bigode, por sua vez, recebeu dezesseis anos de condenação e mais um ano em colônia agrícola. Finalmente, Pardal foi condenado a quatorze anos de prisão e mais dois anos em colônia agrícola.

Fonte: Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9dia_do_Gran_Circus_Norte-Americano
Acervo Globo:  http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/em-niteroi-incendio-no-gran-circo-norte-americano-mata-mais-de-500-pessoas-8969092#ixzz3XqwUx4Gh
© 2015.

 

 

 

 

6 Respostas to “25- O incêndio do Grande Circo Norte Americano em Niterói em 1961”

  1. chicão Says:

    interessantíssimo! jamais irei sabes deste crime covarde.

  2. carlos h fontoura Says:

    Discordando da afirmação acima, Niterói nunca foi capital do estado da Guanabara e sim do ESTADO do Rio de Janeiro,

  3. Lucia Bruno Says:

    Eu tinha sete anos , nessa epoca, e iria no circo, com minha irma de 10 anos e outra mais velha que ia nos levar, mas a colega de trabalho dela desistiu de ir, porque tinha umas costuras para fazer, ai depois do almoço nossa irma que nos levaria, foi dormir, e acabou sonhando com o circo pegando fogo. A foi assim que nos livramos do sinistro.

  4. Lucia Bruno Says:

    Eu tinha sete anos , nessa epoca, e iria no circo, com minha irma de 10 anos e outra mais velha que ia nos levar, mas a colega de trabalho dela desistiu de ir, porque tinha umas costuras para fazer, ai depois do almoço nossa irma que nos levaria, foi dormir, e acabou sonhando com o circo pegando fogo. A foi assim que nos livramos do sinistro. Porque a amiga de minha irma nao pode ir e minha irma dormiu. Lo

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